terça-feira, 3 de maio de 2011

Boneca de Gelo.

A um certo tempo atrás, as palavras ja não me faziam sentindo, havia perdido minha inspiração, e as palavras ja não se encaixavam, ja não se formavam em perfeita harmonia, então, decidida a seguir minha vida, e a simplesmente guardar para mim mesma, todos os meus sentimentos, como de costume, resolvi abandonar meu lindo blog. E hoje, percebi que a vontade de escrever era maior do que tudo, que as palavras voltavam a se harmonizar, que o dia ja começava a fazer mais sentido ou pelo menos eu achava que fazia sentindo, que o calar da noite, era o meu melhor amigo.
Começei a entender então, que a vontade de escrever, só era explosiva quando acontecia o pior comigo, quando os sentimentos que brotavam em meu coração - de gelo- eram os que mais me machucavam, que mais me doiam, que mais me faziam tornar uma pessoa vazia e fria. E mais do que esse compreender, percebi que de nada adiantava que resistir a louca vontade de escrever, sendo que não conseguia libertar aquilo que me machucava, que era a libertadora  vontade de desabafar. Mas, desabafar o que? Dizer a todos as minhas fraquezas? Dizer a todos aquilo que me machucava? Não, jamais iria me submeter aquilo, então, ja que não tinha como me libertar, procurei meu melhor amigo, o calar da noite me aconselhou a enxugar as lágrimas em meu travesseiro, pois a partir daquele momento, ele se tornaria o meu segundo melhor amigo.
Durante muito tempo, tive medo de dizer ao mundo o que eu sentia, tive medo de dizer a meus amigos, o quanto me doia o vazio que estava sentindo dentro de mim, e que ainda sinto. Nem o calar da noite, aquele que eu imaginava ser o meu melhor amigo, sabia mais das coisas que motivavam a chorar, e o travesseiro que foi-me muito util, ja não era mais o suficiente. Encontrei-me perdida, encontrei-me solitária, encontrei-me ? Desencontrei-me ! Ja não sabia mais o que eu era, o que eu sou, o que eu tinha me tornado, o que eu me tornei. Deixei todas as mágoas tomarem conta de mim, e a imagem que eu tinha, de sempre estar sorridente, de ser sempre forte, de deixar poucas coisas me abalarem, ja me irritava, ja me atordoava, pois sabia que aquela imagem, não era a que realmente eu queria que fosse, aquilo era uma máscara, uma coisa falsa que tinha se tornado um vício, mas não um vício meu, e sim dos outros, que em suas mágoas e tristezas, procuravam um rosto sorridente, para poderem acreditar que poderiam ser assim também, e acreditavam, naquela minha falsidade toda. Hipócrita, eu fui.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Despedida

Ultimamente meu coração anda parado demais, batendo lentamente, como se estivesse se arrastando dentro do meu peito. Já é o fim do dia, mas é apenas o começo de uma imensa e lenta semana. Alguma coisa em mim me dá uma sensação de aperto contendo tristeza. Não consegui fazer nada, apenas pensar em coisas sem nexo, que faziam com que nem ao menos um raio de luz entrasse. Acordei com o céu já escuro, sem luz. Sentia uma vontade de gritar, de dizer o que penso, o que quero, o que gosto. Mas simplesmente não posso, não tenho coragem o suficiente, acabo por ficar no meu refúgio, arrependida por não ter agido como devia, discutindo com as paredes, as únicas que eu sabia, não iria contestar nada que eu dissesse, do que escolhesse. Aos meu queridos leitores, aqui deixo o meu adeus.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Encontro. part. 8


E ele disse:
- Um quadro com a foto de uma linda mulher com os olhos claros, cabelos loiros, meio baixinha, com um rosto bem angelical.
 Eu sorri meio sem graça, pois o passado tornava a perturbar , e respondia com um tom um pouco envergonhado.
- Sinto muito, mas este quadro ainda não tem, que tal procurar em outra galeria?
- Seria um desperdício, pois a imagem que procuro está bem aqui na minha frente  – Ele dizia com um sorriso meio sarcástico.
Eu não sabia onde enfiar a cara, pois aquele ser que estava ali havia passado tempo de mais comigo, ele sabia perfeitamente como me deixar envergonhada, como fazer surgir um sorriso faceiro em minha face, como me irritar, sabia muita coisa sobre minha pessoa. Enquanto conversava com ele, podendo incluir nesta conversa algumas risadas e muitas gargalhadas o Gustavo chegava com umas caixas pesadas.
- Lê, já estava com saudades. – Disse ele sorrindo, eu correspondi aquele maravilhoso sorriso, mas pude perceber que a fisionomia de seu rosto havia mudado quando via aquele cara que estava ali, bem na minha frente, separado apenas pelo balcão. Logo em seguida surgia a Nanda com a camisa do Gustavo em uma mão e um pouco de detergente na outra, vindo em direção a ele dizendo:
- Gustavo, eu to conseguindo limpar, vê se esta ficando de seu agrado.
E quando percebeu a presença do André já havia levado um susto, pois fazia muito tempo que não via aquela pessoa, e digamos que ela tinha certo rancor dele, pois temos uma ligação muito forte e uma das pessoas que mais sentiu o que ele já tinha feito comigo foi ela. A única reação que conseguia esperar dela era que tirasse o Gustavo daquele local o mais rápido

sábado, 13 de novembro de 2010

Encontro. part 7

Enquanto íamos ao final da galeria para poder pegar alguns quadros para colocar em exposição, ia fazendo um breve resumo a ela: - Nos conhecemos a um tempinho, mas nunca havia nos encontrado, só que percebi que aquela “amizade” estava saindo um pouco dos padrões de uma amizade, então concordamos em nos encontrar, e aí estamos, confesso que eu imaginava uma pessoa completamente diferente, fisicamente. Mas acabei me surpreendendo, ele é muito melhor do que imaginei. - Realmente ele é lindo – Ela disse sorrindo, tentando me provocar. Eu sorri e dei um tapinha nela brincando, pegamos uns quadros e quando voltamos, ele estava em cima de uma escada trocando a lâmpada que estava queimada , paramos diante daquela situação e começamos a admira-lo e a rir, pois a situação merecia um pouco de risos. Ao perceber que estávamos paradas diante dele, ele desceu da escada, batendo as palmas das mãos, as limpando e sorrindo meio sem jeito dizendo: - Desculpe, só estava tentando ajudar. Coçou um pouco a cabeça, pois ainda estava meio sem jeito, a Nanda riu e disse: - Que isso, não precisava, obrigada, eu estava precisando de um homem mesmo para poder me ajudar aqui na galeria, pois tenho um evento grande amanhã e ainda tenho um monte de coisas para fazer. Enquanto eu ajeitava os quadros e escutava a conversa dos dois, percebi que ele estava mesmo interessado no assunto e o ouvi dizer: - Se quiser uma ajudinha, eu posso ajudar. A não ser que a Lê, se incômoda. Olhei para ele sorrindo, e disse: - Claro que não me incomodo! Aqui é um dos meus lugares favoritos, a Nanda é uma amigona minha, acho que podemos ficar um pouco, claro que se não for atrapalhar. Ela me abraçou sorrindo e disse baixo para que somente eu pudesse escutar: - Obrigada você é um anjo. Eu sorri e disse: - Quê nada, você sabe o quanto eu amo este lugar, o quanto você é importante para mim, sabe que não a deixaria na mão. E então, o que temos que fazer? Ela ainda sorria, eu amava ver ela feliz daquela forma, mas meus olhos ainda não se desprendiam de meu amado, parecia imã, ela percebeu claro, e disse: - Lê, me ajuda a posicionar os quadros; como você é bem perfeccionista vai me ajudar a colocá-los em sintonia. E você meu anjo, qual seu nome? - Gustavo! - Hum... Belo nome! Então, já que você já trocou a lâmpada. – risos- Agora, se não for pedir muito tem como você me ajudar a trazer umas coisas pesadinhas que tem lá no fundo? - Claro sem problemas, você me mostra onde é que eu vou lá buscar. Eu ficava o admirando, pois a cada minuto me encantava com ele, era uma pessoa admirável, todos que o viam ficavam impressionados com a beleza, e quando o conheciam ficavam mais ainda pela pessoa maravilhosa que ele era. A Nanda estava desfrutando muito da presença de meu amado, eu ria muito com ela tentando me provocar. - Só me seguir meu anjo. – Ela disse dando uma olhadinha para mim e fazendo um biquinho. Eu fiquei ali na frente arrumando os quadros, colocando tudo em seu devido lugar, e quando finalizei encostei-me ao balcão da recepção esperando eles voltarem com as outras coisas, mas tive uma enorme surpresa quando vi a porta se abrir e encontrar meu ex entrando. Estranhei obviamente, não entendia o que aquela pessoa estava fazendo ali, naquele exato momento. Não sabia muito que fazer, então tentei disfarçar, dando as costas para a porta e olhando o quadro que estava atrás do balcão. Claro que a idéia não deu muito certo, pois ele já tinha me visto, veio em minha direção, parou perto do balcão e disse: - Desculpe-me, estou a procura de um quadro. Eu me virei e olhei para ele fingindo estar surpresa, ele também fingiu estar surpreso e eu disse: - O que deseja?

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Encontro. part. 6

Seus lábios eram deliciosos, suas mãos me seguravam com muita firmeza, me passando confiança, meu coração se acalmava, meus olhos não queriam se abrir, minha cabeça não queria nunca esquecer aquele momento maravilhoso. Seus lábios eram dóceis, sua língua se arrolava com a minha numa brincadeira vagarosa e eu havia encontrado a minha felicidade. Estar com ele era muito bom, poder beijá-lo era melhor ainda e poder amá-lo era maravilhoso, era algo sem definição. Estávamos em um momento tão íntimo que nem pude mais sentir-me tímida, não sentia mais a fervura em minha face, a não ser pelo sol que naquela tarde brilhava como nunca havia brilhado, os pássaros cantavam com uma intensidade inimaginável e aposto que naquela tarde, o mar esquecia sua bravura e acalmava-se. Aquela tarde, aquele momento, onde tudo parecia ser único, ser muito melhor, onde a vida me proporcionava algo que nunca tinha me proporcionado antes, onde meu coração se alegrava de forma estranha para mim. Dava adeus ao garçom e o agradecia pela atenção, pois tínhamos decidido ir dar uma voltinha pela praça e enquanto andávamos, ele pegou em minha mão e mais uma vez nossas mãos se encontravam em perfeita harmonia, se encaixando perfeitamente, entrelaçando os dedos e eu sorria. Continuávamos a andar até que eu sugeri que fossemos a galeria de artes de uma grande amiga minha, já que tínhamos interesse em muitas coisas em comum. Chegando lá, encontrei minha amiga, ela estava começando a trocar os quadros, pois na noite seguinte iria ter um grande evento apresentando sua nova coleção, ao ver que ela estava precisando de ajuda disse: - Você quer uma ajudinha Nanda? Ela sorriu e me chamou de canto, havia estranhado a grande presença de meu amor, enquanto ele olhava as maravilhosas obras dela, íamos em direção contraria, pois ela queria saber os mínimos detalhes de quem seria aquele ser que marcava a maior presença em sua galeria. (cont. prox. post)