sexta-feira, 2 de julho de 2010

Falta?


“Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância , pois nada tem importância. Faço paisagens com o que eu sinto.” Fernando Pessoa

Me sinto embebecida por uma falta das palavras não recebidas e nem lidas, falta de ser surpreendida, do faltar o chão, do não saber o que fazer, falta de não ter que o q dizer diante do inevitável, saudade até mesmo das mortes lentas (elas tem o seu brilho), falta de ‘ser’. Não sei mais olhar as coisas da forma singela e amável de ontem, hoje alguma coisa me fez empedrar, mas ainda me vejo tão dócil por dentro…o que não adianta muito para quem não está aqui. Gosto desse gosto de ser forte, de ter uma superioridade e do não sentir aparentemente porque me cansei de estar sempre presente daqueles que se fazem ausente, dos sumiços, das palavras que enganam, dos olhares e toques sem trato.
Sei que nem sempre agi de forma correta e nem sei dizer ao certo se estou agindo hoje, mas dane-se, na maioria das vezes erro tentando acertar, a vida as vezes parece um ensaio com resultados que levamos para a vida inteira, mas cada ensaio já a peça no palco. A decepção de parecer ter aprendido a amar com a pessoa certa, mesmo está ausente, porém com o passar do tempo se vê que as palavras foram mentiras…o porquê?, nunca vou saber e hoje também nem faz sentido. Apenas vejo que não aprendi a amar, nunca amei ninguém e o que poderia ter sido só me deixou a dúvida se vou voltar a acreditar.
Nunca pensei em colocar essas palavras num blog ou em qualquer outro lugar onde alguém que não fosse eu pudesse ler, mas me vejo aqui vomitando tudo isso e os meus dedos não conseguem parar de trabalhar as palavras que vão vindo sem parar em forma de um rio que não sabe nem para onde correr. Meu desejo hoje seria o de ser surpreendida…
Sinto hoje meu ser, sem ser ou querendo ser…e vejo que os segundos se tornam horas, e que nem sempre eles passam rapido…desses segundos que vem as horas e consequentimente os dias..o tempo. Belo e magestoso, cruel e devastador, mas também benefico, cicatrizante…e as vezes gostaria que os segundos parassem para eu me perder naquele momento tão desejado.

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